Ricardo Cairesengenheiro de inovação Agendar conversa
Sobre

Engenheiro e pesquisador de inovação.

Sou engenheiro de produção. Há mais de uma década, o meu desafio é levar a gestão da qualidade da fábrica para áreas administrativas e de serviços, onde o defeito se esconde na informação e, agora, nos textos que a IA escreve e uma pessoa assina. Com visão sistêmica, de ponta a ponta, encontro o potencial de inovação de uma organização mesmo com o caos instalado.

Sou doutorando em Administração na ESPM, pesquisador de inovação e transformação digital, Miro MVP e parceiro de serviços profissionais da Miro.

Retrato de Ricardo Caires sorrindo, de camisa marrom
raizSistema Toyota de Produção
focoserviços, escritórios e áreas administrativas
prática10 mil+ horas na Miro
folha06 de 06
Parte 01

“Onde não há padrão, não há kaizen.”

taiichi ohno, criador do sistema toyota de produção

ricardo caires · 2026

Manifesto do fluxo inteligente

i = IH × IA − t

inovação = inteligência humana × inteligência artificial − tecnoestresse

A inteligência artificial chegou ao trabalho do conhecimento mais rápido do que as organizações conseguiram se organizar para recebê-la. Redesenhando fluxos de trabalho com as equipes que fazem esse trabalho, aprendemos a valorizar:

  • 01Fluxo de ponta a pontamais quevelocidade de uma tarefa
  • 02Contexto e critériomais queferramenta da moda
  • 03Inovação que muda o resultadomais queteatro da inovação
  • 04Desafio na medida dos recursosmais quepressão na velocidade da máquina
  • 05Qualidade na fontemais queinspeção no fim

Os itens da direita têm valor. Os da esquerda vêm primeiro.

Princípios

toque para abrir

p.01Primeiro o fluxo, depois a IA.

A IA amplia o que encontra. Fluxo organizado ganha capacidade, e fluxo confuso ganha velocidade para errar. Com a eletricidade foi igual: o ganho só apareceu quando as fábricas foram redesenhadas em torno do motor elétrico.

fundamentos

  • Fronteira irregular da IA: com IA, consultores melhoraram nas tarefas dentro da capacidade da tecnologia e erraram mais nas tarefas fora dela (Dell'Acqua et al., 2023).
  • Os ganhos da IA exigem investimento complementar em dados, fluxos de trabalho, habilidades e redesenho organizacional. O paradoxo da produtividade dos anos 1980 só se desfez quando as empresas reconstruíram processos e retreinaram pessoas (Independent International Scientific Panel on AI, 2026).
  • No governo, a transformação digital coordenada entre departamentos amplia a eficiência do conjunto (Yang et al., 2024).
p.02Demanda e recurso são o balanceamento de linha do trabalho do conhecimento.

Identificar as demandas de trabalho e os recursos disponíveis é o que permite balancear qualquer linha de produção, da fábrica aos escritórios, às áreas administrativas e aos serviços. Ohno já tratava a sobrecarga (muri) como perda, e o tecnoestresse é o muri do trabalho digital.

fundamentos

  • Teoria das Demandas e Recursos do Trabalho, JD-R (Demerouti et al., 2001; Bakker & Demerouti, 2017).
  • Muda, mura e muri: desperdício, irregularidade e sobrecarga no Sistema Toyota de Produção (Ohno, 1988).
p.03O estresse que motiva tem dosagem.

A mesma exigência vira desafio ou ameaça conforme a avaliação e o preparo de quem a vive. Boa facilitação mede essa dosagem e mantém a equipe na zona do desafio, com meta clara, autonomia e recursos à altura.

fundamentos

  • Estressores de desafio e de obstáculo (LePine et al., 2005).
  • Techno-eustress e techno-distress: a avaliação define o efeito (Tarafdar et al., 2019).
  • Autoeficácia com tecnologia (Compeau & Higgins, 1995).
  • A tecnologia como demanda, como recurso ou em interação com os recursos pessoais (Pansini et al., 2023).
p.04O ritmo vem da demanda.

No Sistema Toyota, o takt da demanda define o ritmo, e a superprodução é o pior dos desperdícios. IA que gera mais trabalho do que o fluxo consome intensifica a jornada e empurra retrabalho para a próxima etapa. Eficiência sem estrutura vira exaustão.

fundamentos

  • Takt time e superprodução (Ohno, 1988).
  • Intensificação do trabalho com IA: etnografia de oito meses numa empresa de tecnologia (Ranganathan & Ye, 2026).
  • Workslop: conteúdo de IA com cara de pronto que gera retrabalho em quem recebe (Niederhoffer et al., 2025).
p.05Automação com toque humano.

Atividade por atividade, a equipe decide onde a IA executa, onde apoia e onde a decisão fica com as pessoas. É o jidoka no trabalho do conhecimento: a máquina sinaliza o desvio, e a pessoa decide. Esse critério preserva o pensamento crítico.

fundamentos

  • Semáforo da IA (Caires, 2026).
  • Jidoka, a “automação com toque humano”, um dos dois pilares do Sistema Toyota (Ohno, 1988).
  • Mais confiança na IA se associa a menos pensamento crítico (Lee et al., 2025). Quando a IA substitui o esforço mental em vez de apoiá-lo, o pensamento crítico enfraquece (Independent International Scientific Panel on AI, 2026).
  • O método de IA deve ser proporcional ao objetivo e apropriado ao contexto, e um sistema de IA jamais substitui a responsabilidade final das pessoas (UNESCO, 2022).
p.06Contexto vem antes do comando.

Por trás dos sistemas existe o trabalho real, feito de interações, esperas e decisões que vivem na cabeça de alguém. Mapear esse trabalho com quem o executa organiza o contexto de que a IA precisa, como o pensamento A3 sempre fez.

fundamentos

  • Mapeamento do fluxo de valor (Womack & Jones, 1996).
  • Pensamento A3, que começa pelo contexto (Shook, 2008).
  • Serviço desenhado em torno dos eventos de vida das pessoas, atravessando as fronteiras entre órgãos (Ministry of Finance of Finland, 2019).
p.07A qualidade nasce na fonte.

A gestão da qualidade nasceu na fábrica, onde a peça com defeito aparece na linha. No escritório, o defeito é uma informação incompleta que só aparece etapas depois, como retrabalho. Por isso a qualidade se constrói na etapa onde a informação nasce, e com IA isso vale ainda mais, porque o defeito passa a ser produzido em escala.

fundamentos

  • Percentual completo e correto (%C&C): mede quantas vezes a etapa seguinte recebe o trabalho pronto para uso, sem precisar corrigir, completar ou esclarecer. É o indicador de qualidade do fluxo de informação (Martin & Osterling, 2014).
  • Inspeção na fonte e poka-yoke: o defeito é evitado na etapa onde nasce (Shingo, 1986).
  • Qualidade da informação vai além da exatidão: inclui completude, atualidade, clareza e utilidade para quem recebe (Wang & Strong, 1996).
  • Deixar de depender da inspeção e construir a qualidade no processo. Melhorar a qualidade reduz retrabalho, erros e atrasos, e a produtividade sobe (Deming, 1986).
p.08Inovação se prova no fluxo.

Acelerar uma etapa que nem precisa existir é teatro da inovação. Antes da próxima ferramenta, vale perguntar por que a etapa existe e usar bem o que a equipe já tem. Problema primeiro, solução depois: toda iniciativa precisa sustentar uma decisão, e nada fica no papel.

fundamentos

  • Teatro da inovação: iniciativas que servem para a empresa parecer inovadora (Blank, 2019).
  • Os cinco porquês, base da investigação de causa no Sistema Toyota (Ohno, 1988).
  • Mimetismo isomórfico: organizações públicas que copiam a forma das reformas bem-sucedidas sem ganhar a capacidade que elas entregam. A resposta é a adaptação iterativa orientada por problemas, a PDIA (Pritchett et al., 2013; Andrews et al., 2017).
  • Caso PayIt, Toronto: a plataforma de pagamentos foi desativada em 2025, depois de 8,4 milhões em taxas, porque a auditoria não encontrou as economias prometidas (Chakraborti, 2025).
p.09Processo, tecnologia e pessoas mudam juntos.

O respeito pelas pessoas e a melhoria contínua são os dois pilares do jeito Toyota de trabalhar. Olhar processo, pessoas, tecnologia e regras como um sistema mostra a causa por trás do sintoma. Quem protege recursos ganha recursos para inovar, e a evidência orienta cada passo.

fundamentos

  • Os dois pilares do Toyota Way (Liker, 2004).
  • Teoria da Conservação de Recursos: perda e ganho de recursos (Hobfoll, 1989).
  • Pensamento sistêmico no setor público: processos, pessoas, tecnologia e políticas interligados, com foco na causa-raiz (Saïd Business School, 2026).

Estruturar antes de acelerar.

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referências completas
  1. Andrews, M., Pritchett, L., & Woolcock, M. (2017). Building state capability: Evidence, analysis, action. Oxford University Press.
  2. Bakker, A. B., & Demerouti, E. (2017). Job demands–resources theory: Taking stock and looking forward. Journal of Occupational Health Psychology, 22(3), 273–285.
  3. Blank, S. (2019). Why companies do “innovation theater” instead of actual innovation. Harvard Business Review.
  4. Caires, R. (2026). Semáforo da IA. 36th RESER International Conference, Brasília.
  5. Chakraborti, S. (2025). PayIt: City of Toronto's innovative digital transformation or an accountability failure? [Estudo de caso]. City of Toronto.
  6. Compeau, D. R., & Higgins, C. A. (1995). Computer self-efficacy. MIS Quarterly, 19(2), 189–211.
  7. Dell'Acqua, F., et al. (2023). Navigating the jagged technological frontier. Harvard Business School Working Paper 24-013.
  8. Demerouti, E., Bakker, A. B., Nachreiner, F., & Schaufeli, W. B. (2001). The job demands-resources model of burnout. Journal of Applied Psychology, 86(3), 499–512.
  9. Deming, W. E. (1986). Out of the crisis. MIT Center for Advanced Engineering Study.
  10. Hobfoll, S. E. (1989). Conservation of resources. American Psychologist, 44(3), 513–524.
  11. Independent International Scientific Panel on Artificial Intelligence. (2026). Preliminary report: Evidence-based assessment of opportunities, risks and impacts of artificial intelligence. United Nations.
  12. Lee, H.-P., et al. (2025). The impact of generative AI on critical thinking. CHI '25.
  13. LePine, J. A., Podsakoff, N. P., & LePine, M. A. (2005). A meta-analytic test of the challenge stressor–hindrance stressor framework. Academy of Management Journal, 48(5), 764–775.
  14. Liker, J. K. (2004). The Toyota way. McGraw-Hill.
  15. Martin, K., & Osterling, M. (2014). Value stream mapping: How to visualize work and align leadership for organizational transformation. McGraw-Hill.
  16. Ministry of Finance of Finland. (2019). AuroraAI: Towards a human-centric society. Development and implementation plan 2019–2023.
  17. Niederhoffer, K., et al. (2025). AI-generated “workslop” is destroying productivity. Harvard Business Review.
  18. Ohno, T. (1988). Toyota production system: Beyond large-scale production. Productivity Press.
  19. Ohno, T. (2007). Taiichi Ohno's workplace management (J. Miller, Trad.). Gemba Press.
  20. Pansini, M., Buonomo, I., De Vincenzi, C., Ferrara, B., & Benevene, P. (2023). Positioning technostress in the JD-R model perspective. Healthcare, 11(3), 446.
  21. Pritchett, L., Woolcock, M., & Andrews, M. (2013). Looking like a state: Techniques of persistent failure in state capability for implementation. Journal of Development Studies, 49(1), 1–18.
  22. Ranganathan, A., & Ye, X. M. (2026). AI doesn't reduce work, it intensifies it. Harvard Business Review.
  23. Saïd Business School, University of Oxford. (2026). IA e transformação digital no governo: Ficha de trabalho sobre análise de problemas e pensamento sistêmico (Módulo 5). Oxford Saïd Online.
  24. Shingo, S. (1986). Zero quality control: Source inspection and the poka-yoke system. Productivity Press.
  25. Shook, J. (2008). Managing to learn. Lean Enterprise Institute.
  26. Tarafdar, M., Cooper, C. L., & Stich, J.-F. (2019). The technostress trifecta. Information Systems Journal, 29(1), 6–42.
  27. UNESCO. (2022). Recomendação sobre a ética da inteligência artificial. UNESCO.
  28. Wang, R. Y., & Strong, D. M. (1996). Beyond accuracy: What data quality means to data consumers. Journal of Management Information Systems, 12(4), 5–33.
  29. Womack, J. P., & Jones, D. T. (1996). Lean thinking. Simon & Schuster.
  30. Yang, C., Gu, M., & Albitar, K. (2024). Government in the digital age: Exploring the impact of digital transformation on governmental efficiency. Technological Forecasting and Social Change, 208, 123722.
Parte 02

Da engenharia de processos ao doutorado.

  1. 2013Engenharia de Produção, UEM.
  2. 2014Agente Local de Inovação (Sebrae/CNPq), com 52 pequenas empresas do setor metalmecânico.
  3. 2016Especialização em produção enxuta, PUC/PR, e fundação da SETTIMOS Consultoria.
  4. 2019Melhor trabalho da sessão oral no FORTEC.
  5. 2020Mestrado PROFNIT, UEM, e o Guia para aplicação da metodologia Lean Startup.
  6. 2024Indicação ao Hall of Fame da Miro, categoria Impacto Social.
  7. 2025Início do doutorado na ESPM e consultoria sênior em programa regional de inovação.
  8. 2026Pesquisador em projeto de IA no governo federal e qualificação do doutorado.
Parte 03

Formação e reconhecimentos.

Doutorado em Administração
ESPM, desde 2025, com bolsa CAPES.
Mestrado PROFNIT
Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia para a Inovação, UEM, 2020.
Especialização
Engenharia de Produção Enxuta, PUC/PR, 2016.
Graduação
Engenharia de Produção, UEM, 2013.
Cursos
Lean Office e Serviços, Lean Institute Brasil, 2018. IA e Transformação Digital no Governo, Universidade de Oxford, 2026.
Miro
MVP, embaixador e parceiro de serviços profissionais. Indicado ao Hall of Fame, Impacto Social, 2024.
FORTEC
Melhor trabalho da sessão oral, 2019.
InovAtiva Brasil
Mentor desde 2020.
Parte 04

Gestão visual e Miro.

10 mil+

horas práticas tornando visíveis projetos complexos de processos e inovação na Miro. A Miro é a base tecnológica de todos os meus projetos: o trabalho acontece no meu ambiente, e a entrega sai em PDF ou no próprio board. Quando a organização quer seguir com a plataforma, implemento a Miro, treino equipes e desenho templates sob medida.

Selo Miro Solution Partner Member

Boards de projetos

Curso Fluência VisualOrganização e execução do pensamento estruturado com a Miro, do básico à colaboração da equipe.
Workshop Kaizen com Miro IALean Office, gestão visual e IA aplicados a desafios reais escolhidos pela liderança. De 2 a 12 pessoas, de 4 a 8 horas. É a base da sessão 03, Kaizen da IA.
Capacidades de IA da equipeCada pessoa mapeia que tarefas da sua função podem se beneficiar da IA. É a base da sessão 08, Capacidades IH × IA.
Jornada ideal com IAComo a equipe trabalha hoje, ao lado do jeito redesenhado, com o prompt de cada atividade. É a base da sessão 05, Fluxo ideal com IA.
Relatório A3 em telecomContexto, causas, plano de ação e acompanhamento no mesmo board, 2021.
Semáforo da IAVersão em inglês publicada no Miroverse, com licença CC BY-SA 4.0.
Semáforo da IA
Critério visual para decidir onde a IA executa, apoia ou fica com as pessoas.
Tree of Hope
Template de solidariedade indicado ao Hall of Fame da Miro em 2024.
Canvas de Fluxo de Valor
VSM e SIPOC combinados para tornar o processo visível.
Ambidextrous Business
Mapa para trabalhar a ambidestria organizacional.
Parte 05

Publicações.

  1. 2023BARBOSA LEITE, D.; SILVA, C. M. F.; CAIRES, R. T. et al. Parques de ciência e tecnologia como núcleo da quádrupla hélice: uma proposta para o desenvolvimento regional de Mato Grosso. Gestão & Regionalidade, v. 39.
  2. 2021SILVA, C. M. F.; LEITE, D. B.; CAIRES, R. T. et al. Habitats de inovação em rede: proposição de ações para o Parque Tecnológico Mato Grosso. São Paulo: Perse.
  3. 2020CAIRES, R. T.; PEREIRA, M. F. Vantagens e barreiras da metodologia Lean Startup para empresas de base tecnológica em habitats de inovação. Cadernos de Prospecção, v. 13. Premiado no FORTEC em 2019.
  4. 2020CAIRES, R. T.; PEREIRA, M. F.; SARTORI, R.; SILVA, J. C. B. Guia para aplicação da metodologia Lean Startup.
  5. 2018CAIRES, R. T.; AZEVEDO, R. A.; SARTORI, R. A inovação nas empresas metalmecânicas: um foco sobre a ambiência inovadora. Cadernos de Prospecção, v. 11.

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